#101 | Julho | 2026
Passadas as férias escolares e a vida de pais e mães de volta à rotina, o desafio da Reforma continua a bater na porta. PIS e da Cofins darão lugar a CBS a partir de janeiro de 2027 entre outras muitas mudanças. É tempo de adaptação.
Nos próximos meses, com muitas ideias antigas e discussões de baixo nível, as eleições vão disputar espaço com esse calendário de transição para o novo regime de tributação sobre o consumo. Qual dos dois deve dominar a agenda dentro de cada empresa?
A política desperta paixões e não temos nenhum controle. O tributário é árido e complexo, precisa ser decifrado e se não for cuidadosamente analisado pode gerar prejuízos e riscos para a operação.
Ninguém foi treinado para percorrer uma jornada de transição de uma reforma tão extensa e com tantos impactos sobre as decisões de negócio. Não há manual pronto, não há precedente, não há quem já tenha atravessado uma mudança dessa amplitude.
Os ajustes dependem das pessoas mais capacitadas na matéria capazes de dialogar com a diferentes áreas dentro de cada organização. Nos projetos que estão caminhando bem, o que tenho visto em comum é o método: organização, controle de tarefas e prazos, e gente dedicada a entender o impacto de cada mudança na própria operação.
A partir disso, cada empresa escreve o seu próprio plano de ação, a sua própria transição.
Isso tem muito valor. É o que deve separar, nos próximos meses, as empresas que vão atravessar a mudança com perdas identificadas, controladas e solucionadas daquelas que vão descobrir os problemas na primeira apuração.
E o cenário nacional não ajuda. A arrecadação federal cresceu de forma significativa nos últimos anos — quase 2% do PIB, mais de R$ 200 bilhões por ano — e, ainda assim, o governo não consegue se acomodar dentro do orçamento, não passa credibilidade de controle sobre a dívida. Convivemos com a Selic acima de 14% a.a. porque o governo é um tomador compulsivo de recursos e isso tem estrangulado o crédito para o setor produtivo e levado muitas empresas a encerrarem suas operações ou buscarem uma recuperação judicial.
O quadro é tão grave que, mesmo o Tesouro Nacional oferecendo títulos pagando inimagináveis IPCA +8%, já enfrenta algum nível de dificuldade para rolar a dívida pública.
O tributário é uma função do quadro fiscal. E há gente bem preparada, como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, já trabalhando com um cenário de recessão em 2027, justamente quando as regras da Reforma passam a ser realmente aplicadas, com alíquota integral de CBS vigente.
A conta é simples: o erro de crédito, de enquadramento ou de preço que uma economia em crescimento absorve pela margem; em um cenário recessivo, pode consumir ainda mais caixa e resultar na insolvência de negócios.
Conduzir a reforma sem planejamento e sem números é um convite à irresponsabilidade. Entre as muitas conversas e trocas de experiência, o que tenho visto de mais consistente, na medida em que não existem manuais, é partir da operação: entender o negócio e verificar como o texto da Reforma impacta cada uma das áreas, do fiscal aos contratos, de compras à tesouraria.
Além de afastar riscos e perdas, esse trabalho permite tomar melhores decisões. Teremos todas as respostas? Certamente que não. Mas quem mapeou a própria operação enxerga as dúvidas no momento em que elas aparecem e pode responder antes da concorrência.
Cada empresa precisará se posicionar e se adaptar e o erro por omissão pode custar a sobrevivência do negócio. Para os clientes que não possuem times internos para a condução desse trabalho, contem conosco na construção de um Plano de Transição.
